As eleições estão cada vez mais próximas e a cada dia que passa Lula se vê diante de uma nova crise pra contornar. Agora os preços dos combustíveis começaram a disparar, e Lula pode ter que lidar com uma greve dos caminhoneiros ainda antes da eleição. Vamos ver a tal habilidade do "grande estadista" que a esquerda diz ser Lula, e como as leis da economia são impossíveis de serem controladas.
A guerra no Irã já se aproxima de sua segunda semana, desde que os exércitos americano e israelense iniciaram os ataques no dia 28 de fevereiro. Todos os dias desse conflito foram marcados por incessantes bombardeios contra o Irã e também por respostas, ainda que tímidas, do país islâmico. A última terça-feira foi, segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, o dia mais intenso de ataque americano até agora.
Apesar da pouca capacidade de reação iraniana frente a poderosa aliança militar que decapitou o regime teocrático, era sabido que essa guerra teria impacto de proporções globais, dada a importância geopolítica do Irã. Pra se ter uma ideia da importância econômica do país, o Irã é hoje o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, responsável por cerca de 4,5% da produção global da commodity. Além disso, o país é o mais populoso do Oriente Médio, contando com uma população de mais de 93 milhões de pessoas. Era impossível que atacar um país dessa importância não gerasse impactos relevantes na economia global.
E se não bastasse a própria produção do Irã ter sido impactada pela guerra, seus vizinhos do Oriente Médio, que também são grandes produtores de petróleo, foram diretamente impactados pela guerra. Como resposta aos ataques americano-israelenses, o Irã decidiu trancar fisicamente parte da região navegável do Golfo Pérsico conhecida como Estreito de Ormuz. O corredor marítimo é responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de petróleo, e seu fechamento, ainda que parcial, representa um desastre econômico.
Além de posicionar pequenas embarcações com soldados, o Irã posicionou ao menos 12 minas navais ao longo do Estreito. Segundo relatórios americanos, o Irã possui atualmente 4 modelos de minas navais em seu arsenal, sendo eles as minas de contato, as minas de fundo, as minas magnéticas e as minas de foguete. As minas de contato são as mais baratas e mais fáceis de serem implantadas. Esse modelo de mina tem o formato de uma esfera com pontas, e é implantada simplesmente sendo lançada ao mar, no local desejado. A mina fica amarrada, por uma corrente, à um peso que fica submerso no mar, garantindo que o explosivo não se desloque com facilidade. O funcionamento desse dispositivo, como o próprio nome sugere, se dá pelo contato com um objeto massivo, como um navio. Quando uma embarcação atinge a mina, ela dispara projéteis que danificam o casco do navio, causando a parada e até o afundamento da nau.
Por causa dessa facilidade na implantação, é muito provável que apenas esse tipo de mina tenha sido posicionada no Estreito de Ormuz. Além da facilidade operacional, esse armamento é extremamente barato quando colocado em escala ao lado de outros equipamentos bélicos. Cada mina de contato custa por volta de 1500 à 2000 dólares, e acaba sendo um equipamento muito efetivo, pois é praticamente impossível de ser visto de dentro de uma grande embarcação, e mesmo que não seja tão alta a probabilidade de que, entre apenas 12 minas, uma navio seja atingido e sofra um grande estrago, o mero poder de dispersão do equipamento já faz com que o Irã atinja seu objetivo. Afinal, quem vai ser o louco de arriscar passar por um campo minado?
Por enquanto a coisa ainda não está muito grave, porque o governo iraniano, talvez até por medo das retaliações americanas, ainda não decidiu fechar de vez a passagem de petróleo mais importante do mundo. Mas mesmo com a maior parte do estreito habilitada para o tráfego, desde o início da guerra apenas 80 navios petroleiros fizeram a passagem. Isso porque em situações de grande tensão e risco, a primeira coisa que as grandes seguradoras de cargas marítimas fazem é suspender a cobertura do seguro. A chance de um navio sofrer danos em uma zona de guerra é muito alta, e o risco não compensa à seguradora.
Pois bem, apesar de toda essa tensão no Oriente Médio, até poucos dias atrás nós ainda não havíamos sentido o efeito da guerra nos preços dos combustíveis aqui no Brasil. Parte disso por causa da efeito retardado da cadeia logística, ou seja, enquanto as reservas atuais não acabarem e novas reservas não forem encomendadas, o preço permanece. Parte também por causa das tentativas globais de conter a debandada do preço. Sabe-se que ao menos 32 países membros da Agência Internacional de Energia, despejaram 400 milhões de barris de petróleo no mercado, petróleo esse que até então estava em suas reservas de emergência. Mas reservas acabam, e logo mais essas soluções paliativas não serão mais capazes de conter o avanço natural do preço.
E aqui eu digo natural, pois a lei que rege os preços do mercado funciona tal qual a lei da gravidade ou da inércia. Ao contrário do que afirmam os marxistas, preço não é uma opinião, e sim uma informação. Quem decide o preço de um produto é a relação entre a disponibilidade desse produto e o número de pessoas dispostas a adquirir esse produto. A famosa e inescapável lei da oferta e demanda: quanto maior a oferta, menor o preço, quanto maior a demanda, maior o preço. Se um empresário decide cobrar 1 milhão de reais por litro de gasolina, ninguém vai comprar, e ele será obrigado a baixar o preço até que o número de pessoas dispostas a comprar seu produto seja suficiente pra manter seu negócio funcionando.
Se o preço fosse definido puramente pela ganância dos empresários, certamente todos os preços tenderiam a infinito. E se dependesse dos clientes, certamente tenderiam a zero. A disputa entre esses extremos faz com que o valor de um produto seja puxado para um número que é bom para o empresário e também para o cliente. Mas obviamente que marxistas são incapazes de compreender isso, e acham que é possível tabelar preços. Cuba nos mostra o que acontece quando burocratas tentam interferir nas leis naturais da economia. Se o preço é tabelado, em pouco tempo não vai valer a pena produzir, transportar e revender aquele produto. E se ninguém mais quer trabalhar com aquele produto, a consequência óbvia é a escassez. Por isso países comunistas, como Cuba e Venezuela, sofrem tanto com desabastecimento de alimentos, combustível e qualquer outro tipo de produto com preço tabelado.
Pois bem, dada a lei da oferta e da demanda, era lógico que mais cedo ou mais tarde o impacto dessa guerra chegaria ao Brasil. Na última semana, antes mesmo de qualquer repasse da Petrobrás para as distribuidoras, a população exercitou o cérebro e chegou à seguinte conclusão: tem menos petróleo disponível no mundo, mas a demanda continua sendo a mesma. Por lógica, o preço vai aumentar nos próximos dias. Eu, que não sou bobo nem nada, vou me adiantar e encher o tanque do carro enquanto o preço ainda não subiu.
Só que o problema é que muita gente pensou isso ao mesmo tempo, e não só pessoas físicas, como também grandes empresas que possuem reservatórios de combustível. Com isso, os postos perceberam que suas reservas começaram a ser drenadas mais rapidamente que o normal e, vendo o aumento na demanda, simplesmente aplicaram a lei da economia, aumentando os preços. O governo federal esperneou, disse que não era pra aumentar porque a Petrobrás ainda não tinha aumentado, e que postos que aumentassem os preços seriam fiscalizados e punidos. Como sempre, o Estado segue lutando contra as leis da natureza. Mas nem mesmo o Estado é capaz de conter a lei da oferta e da demanda, e no sábado, dia 14, a Petrobrás anunciou o aumento de 38 centavos no preço do litro do diesel.
E quem deve estar com um aperto no peito diante dessa carestia dos combustíveis é a mula de nove cascos que está na presidência da república. 2026 é ano de eleições, e a última coisa que Lula quer é uma insatisfação popular por conta dessa crise. O que deixa Lula ainda mais preocupado é que, apesar dele ser burro, o petista sabe que quando o preço do combustível aumenta, ele arrasta consigo o preço de toda a economia. Pense em um simples exemplo: você provavelmente consome alguma proteína nas suas refeições diárias. Para essa proteína chegar à sua mesa, caminhões tiveram que queimar combustível para transportar ração para os animais, o abatedouro teve que transportar os animais em caminhões para o local de abate, o frigorífico teve que transportar esses animais para um local de distribuição e por fim levar até o mercado onde você comprou o seu franguinho ou seu bife. Cada um desses processos envolve queima de combustível, e se cada fase da cadeia logística se torna mais caro, o preço final do produto na prateleira do supermercado também é mais caro. E comida cara, como todo político sabe, resulta em insatisfação popular e em perda de eleição.
Além disso, outra coisa que assombra Lula é o risco de uma greve dos caminhoneiros. Como vimos nos mandatos dos presidentes anteriores à Lula, quando a classe dos caminhoneiros decide parar, o país todo acaba parando, pois o modal rodoviário é o principal na logística brasileira. Se uma greve dessas ocorrer antes das eleições desse ano, qualquer chance remota de lula ou do PT se perpetuarem no poder vai por água abaixo.
Mas será que não é injusto culpar Lula por essa crise econômica que se avizinha? A culpa na verdade não é de Trump que decidiu atacar o Irã? Bem, de fato parte da culpa do aumento é de fatores externos, fora do controle do presidente. Mas parte da culpa de um combustível tão caro é sim do petista. Bolsonaro, em 2022, no contexto da invasão russa à Ucrânia, reduziu os impostos sobre os combustíveis e o preço prontamente baixou. Na época, ministros do STF até ameaçaram que, se Bolsonaro vencesse a eleição, seria caçado por ter feito isso em ano eleitoral. Só que Lula também fez o mesmo nesse ano, mas não baixou o suficiente, pois os preços continuam subindo. Se Lula realmente quisesse ajudar a população, poderia zerar todos os impostos em combustíveis. Será que se ele ganhar as eleições o STF também vai caçar ele? Ou a punição só vale pra políticos de direita?
Não sabemos o que o futuro nos reserva, nem quais serão as atitudes desesperadas de Lula pra conter essa crise. O que sabemos é que o cachaceiro está ferrado. Se tabelar os preços, falta combustível. Se subsidiar o preço das distribuidoras à longo prazo, a Petrobrás vai à falência. Se não fizer nada, a população vai se revoltar e os caminhoneiros podem entrar em greve. Em outras palavras, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Mas talvez a população possa tirar um importante aprendizado libertário de toda essa situação: Não é possível planejar a economia centralmente, e qualquer interferência do estado só tende a piorar a situação. Se a população realmente quiser mudar pra sempre a realidade econômica desse país, tem que parar de votar em comunista, e votar em gente diminui impostos e que deixa o livre mercado ajustar naturalmente a informação mais importante da economia: o preço!
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgvm01pe33o
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/02/3o-maior-produtor-de-petroleo-do-mundo-ira-tem-teocracia-xiita-mas-nao-e-arabe-entenda-o-pais.ghtml
https://www.youtube.com/watch?v=JVgiqTM9Qe0
https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/03/14/postos-de-gasolina-sao-alvos-de-fiscalizacao-em-mt-apos-denuncias-de-aumento-nos-precos-dos-combustiveis.ghtml
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/petrobras-anuncia-aumento-de-r-038-no-diesel-a-partir-deste-sabado-14/
https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/caminhoneiros-racham-grupos-convocar-atos-contra-disparada-diesel/