LADRÃO que SALVA LADRÃO tem 100 anos de PERDÃO!

Quem diria que o vice-presidente do sindicato que roubou os idosos teria algum parentesco com o 9 dedos não é mesmo?

O caso revelado pela Controladoria-Geral da União (CGU), mostrando que o sindicato Sindnapi prestou informações falsas ao INSS para esconder a presença de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, em seu quadro de direção, é mais um retrato do verdadeiro rosto do estado: uma máquina de concentração de poder, mentira e autoproteção. Segundo a CGU, o sindicato declarou ao INSS, em 2023, que não havia dirigentes com parentesco até segundo grau com agentes públicos, o que é proibido por lei para entidades que firmam parcerias com o governo. Mas o irmão do presidente ocupava um cargo de direção nacional dentro do próprio Sindnapi. Mesmo assim, a entidade continuou operando, movimentando R$ 259 milhões entre 2019 e 2024.

Não há como chamar isso de erro administrativo. Trata-se de mentira deliberada, feita para burlar a lei e manter privilégios. E, como sempre, quando o escândalo estoura, surgem os discursos prontos: é perseguição política, é ataque da oposição, não sabíamos de nada. A narrativa é velha, o roteiro é repetido, e o desfecho é previsível, ninguém será punido.

Muitos arguem que a corrupção começou com o governo de Bolsonaro, mas os dados históricos mostram que os mecanismos de fraude ou de favorecimento em instituições estatais já estavam ativos muito antes. Bolsonaro pode ter colocado em evidência algumas práticas, ou ter deixado brechas, mas não foi inédito no escândalo: entidades ligadas às associações sindicais já faziam descontos automáticos de aposentados sem autorização desde 2019, ou seja, no governo anterior também.

Por exemplo, a operação “Sem Desconto”, investigada pela CGU e Polícia Federal, apura desvios de mais de R$ 6 bilhões desde 2019 com descontos indevidos de aposentados, inclusive por entidades com convênios com o INSS, bem antes de questões mais recentes ou dos atos atribuídos ao governo Bolsonaro.

Também há dados de que repasses para o sindicato dirigido por Frei Chico e outras entidades cresceram fortemente a partir de 2021.

Assim, dizer que a corrupção começou em um único governo é simplificação, ela é sistêmica, perene, atravessa administrações diferentes, aproveita-se de estruturas legais, omissões, e da pouca fiscalização efetiva.

Sim, houve casos de corrupção durante o governo Bolsonaro, assim como houve em todos os anteriores. Mas acreditar que a corrupção nasceu ali é uma narrativa útil para quem quer limpar a própria ficha suja. É como se o ladrão mais velho tentasse apontar o dedo para o novato e dizer: a culpa é dele. E enquanto os dois discutem quem roubou mais, o povo continua pagando a conta, esse é o puro suco do Brasil.

A verdade é dura: a corrupção não tem partido. Ela é uma consequência natural da existência do estado, uma estrutura que concentra poder, recursos e decisões nas mãos de poucos. Quando há poder para conceder verbas, assinar contratos, liberar emendas, controlar licenças ou criar cargos, há também o incentivo inevitável para comprar e vender influência. É o próprio modelo estatal que alimenta o vício.

O caso do Sindnapi é o exemplo perfeito de como essa engrenagem funciona.

O sindicato, fortemente ligado à máquina política, falsifica uma declaração para esconder o parentesco de um de seus diretores, justamente o irmão do presidente da República. E o faz para manter contratos, verbas e privilégios. O estado, por sua vez, fiscaliza o caso através de outro órgão estatal, a CGU. Em resumo: o governo investiga o próprio governo. E, no fim, o que se vê é um teatro moral, uma encenação institucional para mostrar que “algo está sendo feito”, enquanto todos sabem que nada mudará.

A chamada Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS e em sindicatos, reforça o tamanho do problema. Essas entidades, muitas vezes criadas sob o pretexto de representar trabalhadores e aposentados, se tornaram instrumentos de arrecadação automática, com mensalidades descontadas diretamente dos benefícios, que financiam redes de poder político e ideológico. O Sindnapi é só mais um nome numa lista longa de estruturas que vivem do dinheiro alheio e do amparo de políticos.

E o mais perverso é que, quando a corrupção é exposta, cada lado tenta usar o escândalo como munição contra o outro. Mas no fundo, os dois lados alimentam o mesmo monstro: o estado inchado, que dá a quem governa o poder de distribuir riqueza e privilégios conforme seus interesses. A corrupção é apenas a consequência visível da centralização de poder.

Os libertários há tempos denunciam isso: o problema não é quem está no poder, mas o poder por si só. Quando o estado tem o direito de tomar o que é seu, via impostos, e de decidir como, onde e para quem redistribuir, ele se torna um instrumento de pilhagem legalizado.

Murray Rothbard sempre descreveu o estado como o maior ladrão institucionalizado da história. Em Anatomy of the State, ele expõe que toda estrutura estatal é construída sobre a coerção e o confisco: nada que o governo possui foi adquirido por meios voluntários. O imposto, para Rothbard, não é contribuição, é extorsão legitimada pela força. Ele mostra que o estado vive da pilhagem constante dos indivíduos produtivos, travestida de legalidade, sob o pretexto de bem comum. Cada nova lei, taxa ou regulamentação, no fundo, uma forma de drenar riqueza de quem produz para sustentar uma casta parasitária que vive do trabalho alheio.

Essa lógica de pilhagem explica por que escândalos como o do sindicato ligado ao irmão de Lula, ou tantos outros de diferentes governos, não são aberrações, são consequências inevitáveis da natureza do estado. Como Rothbard dizia, o estado não é um guardião da moral, mas uma gangue de ladrões em larga escala que se protege por meio da burocracia e da propaganda. Quando políticos são pegos em esquemas de corrupção, não é o sistema que “falhou”, é o sistema que funcionou exatamente como foi projetado: concentrar poder, garantir privilégios e tornar o roubo invisível sob o nome de “gestão pública”.

Hoje é o irmão de Lula, ontem foi o Bolsonaro, amanhã será o assessor de algum outro presidente. O elenco muda, porém o enredo continua sendo o mesmo.

A piada “ladrão que salva ladrão tem 100 anos de perdão” nunca pareceu tão real. No Brasil, ela não é piada, é regra.

O sistema político se protege porque todos sabem que estão comprometidos de alguma forma. A impunidade é o cimento que mantém de pé esse edifício apodrecido. Cada vez que um escândalo vem à tona, um novo é abafado logo em seguida, e assim, a cada ciclo eleitoral, os corruptos se renovam, e o sistema continua.

É por isso que esperar que “um governo honesto” resolva o problema é ingenuidade. Não há reforma ética capaz de salvar um mecanismo construído sobre coerção, privilégio e impunidade. O estado é um mercado de poder: quem entra nele busca negociar influência, não servir o cidadão. A solução real é acabar com o poder do estado até o ponto em que não haja mais nada para roubar, nenhuma verba para desviar, nenhum privilégio para vender, nenhum cargo para trocar.

Enquanto houver um governo capaz de tirar de uns para dar a outros, haverá uma fila de lobos esperando a sua vez de governar.

E enquanto houver lobos, o cordeiro continuará acreditando que está seguro, porque o lobo atual promete protegê-lo do anterior.

A corrupção não começou com Bolsonaro, não vai acabar com Lula e não desaparecerá com nenhum sucessor. Ela é inerente ao poder estatal. E enquanto o povo continuar acreditando que dessa vez é diferente, o roubo seguirá disfarçado de política pública, e os ladrões continuarão salvando uns aos outros, com cem anos de perdão e mais quatro de mandato.

Referências:

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/cgu-diz-que-sindnapi-omitiu-presenca-de-irmao-de-lula-no-sindicato/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/fraudes-no-inss-pf-deflagra-nova-fase-de-operacao-em-oito-estados

https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/sindicato-ligado-a-irmao-de-lula-forjou-assinaturas-de-idosos-diz-cgu