O Brasil é o país com mais estabelecimentos que aceitam Bitcoin no mundo. Mais do que apenas um dado interessante, este fato é um sinal evidente de como o dinheiro descentralizado está desbancando o monopólio das moedas estatais.
O Brasil conquistou recentemente uma posição de destaque no cenário global de adoção do Bitcoin, superando até mesmo países considerados pioneiros nessa área.
Nos últimos cinco a dez anos, a presença do Bitcoin no Brasil cresceu de forma um tanto silenciosa, porém consistente. Segundo informações do UAIBIT, projeto que organiza dados sobre adoção e uso da criptomoeda em diferentes países com base no BTCMAP — um mapa colaborativo em que usuários registram os locais que aceitam Bitcoin —, o Brasil já ultrapassou a marca de 1.983 estabelecimentos que aceitam a moeda. Esse número supera o dos Estados Unidos, que aparecem com 1.457 pontos, e até mesmo o de El Salvador, país que ficou famoso por adotar essa criptomoeda como moeda de curso legal em 2021 e que atualmente soma pouco mais de 1.290 comércios.
Vale ressaltar: o BTCMAP funciona como um mapa colaborativo, quase como um “Google Maps do Bitcoin”, e é alimentado pela própria comunidade. Comerciantes podem se cadastrar, usuários podem atualizar os dados, e o resultado final é um retrato bastante fiel de como a adoção está avançando no mundo real. Portanto, não estamos falando de estatísticas frias, nem de números manipulados ou inventados, mas sim de algo construído na prática, dia após dia, pelas mãos de pessoas de carne e osso que acreditam no uso da moeda.
(Sugestão de Pausa)
No total, o levantamento apontou 12.450 estabelecimentos espalhados pelo planeta, sendo que o Brasil está no topo em números absolutos. Para quem acompanha a cena local, isso não chega a ser novidade: até pouco tempo atrás, nosso país já abrigava três das cinco maiores comunidades de Bitcoin do mundo. Em cidades pequenas como Rolante e Riozinho, no Rio Grande do Sul, quase 200 estabelecimentos aceitavam a moeda. Porto Alegre tinha mais de cem, e São Paulo já passava de 40. Esses números mostram que não se trata apenas de experimento, moda ou teoria: existem comunidades inteiras testando, de forma prática, uma economia circular baseada em Bitcoin.
Essa informação é importante porque quebra o mito de que o Bitcoin serve apenas para “guardar na carteira”, esperando “vender na alta”. Sim, o Bitcoin ainda é usado principalmente como reserva de valor, o famoso “ouro digital”. Mas, cada vez mais, vemos bares, restaurantes, padarias, academias e até prestadores de serviços no Brasil aceitando pagamento direto com a moeda. A inovação começa a virar realidade cotidiana.
Embora lidere em números absolutos, quando olhamos em termos proporcionais o Brasil ainda não está tão bem. Em El Salvador, cerca de 20% da população tem acesso a comércios que aceitam Bitcoin — quase vinte vezes mais do que no Brasil. Países menores, como a República Tcheca, a Suíça e a Costa Rica, também ficam à frente quando a comparação é feita levando em conta o tamanho da população. Mas aí entra um detalhe importante: no Brasil, tudo isso acontece de forma espontânea, sem imposição legal. Em El Salvador, a lei obrigou a aceitação, o que inflou artificialmente a adoção, imposta de maneira “top down”. Aqui, cada comerciante que optou por aceitar Bitcoin o fez por escolha própria, tornando o movimento mais sólido e natural. Portanto, embora o Brasil esteja na liderança em termos absolutos, ainda há um longo caminho a percorrer para que a penetração do Bitcoin na economia local seja significativa.
(Sugestão de Pausa)
Mas, afinal, o que explica o avanço do Bitcoin como meio de pagamento? Antes de entrar na análise libertária, é bom relembrar as características que tornam essa criptomoeda uma revolução monetária. Criado em 2009 por um desenvolvedor anônimo ou grupo de desenvolvedores, sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, trata-se da primeira moeda digital verdadeiramente descentralizada. Ele funciona em uma rede aberta, sem intermediários, onde todas as transações ficam registradas em um livro público chamado blockchain. Ninguém pode inflar a quantidade de moedas digitais, porque o protocolo já definiu um teto: nunca existirão mais de 21 milhões de Bitcoins. A segurança do sistema é garantida pelo mecanismo de prova de trabalho, no qual mineradores competem para validar blocos de transações e recebem alguns satoshis como recompensa.
Essa escassez programada faz com que a moeda seja ideal como proteção contra a inflação e atrativa como reserva de valor. Enquanto governos podem imprimir reais ou dólares indefinidamente, reduzindo o poder de compra de seus cidadãos, o Bitcoin mantém regras fixas que não podem ser alteradas por decreto ou por interesse político. É isso que lhe rendeu o apelido de “ouro digital”. Hoje, de maneira similar aos metais preciosos, a maioria das pessoas que compra Bitcoin ainda o usa principalmente como reserva de valor, guardando-o para o futuro.
Mas o famoso ouro digital vai além disso. Ele é divisível em até 100 milhões de partes menores, chamadas satoshis, o que permite transações de qualquer valor, inclusive inferiores a um centavo. Além disso, é portátil: pode ser enviado para qualquer lugar do mundo em minutos, sem depender de bancos, fronteiras, horário comercial ou dias úteis. É resistente à censura: nenhuma autoridade tem como impedir ou bloquear uma transação, pois ela é feita de indivíduo para indivíduo, sem precisar de aprovação de uma terceira parte. E com soluções de segunda camada, como a Lightning Network, já é possível pagar um café ou uma pizza com taxas baixíssimas e liquidação instantânea, tornando-o cada vez mais viável para uso no varejo e em compras do dia a dia.
(Sugestão de Pausa)
O que o Bitcoin traz, em última análise, é algo praticamente inédito: soberania individual sobre o próprio dinheiro. Qualquer pessoa pode baixar uma carteira em seu celular e começar a usar. Não há necessidade de autorização de banco, não há como o governo congelar ou confiscar seu saldo por decreto, e não existe censura que funcione contra a rede. Por isso, para nós, libertários, o Bitcoin não é apenas uma tecnologia financeira, mas sobretudo uma revolução filosófica e política. Ele é a materialização da ideia de um dinheiro livre, voluntário, escolhido pelas pessoas, e não imposto pelo governo.
Contudo, os desafios à adoção ampla são muitos. O primeiro é cultural: a maioria das pessoas não entende bem como o Bitcoin funciona, tampouco percebe sua importância. A educação financeira já é deficiente no Brasil, e quando falamos em criptomoeda e tecnologia nova, a confusão é ainda maior. As gerações mais antigas tendem a ter mais dificuldades do que os mais jovens quando se trata de moedas digitais e de como armazená-las nas carteiras adequadas.
O segundo é a volatilidade. O preço do Bitcoin, quando cotado em moeda estatal, sobe e desce rapidamente, e isso assusta comerciantes, que podem ver o valor de uma venda cair em poucos dias. Pelo mesmo motivo, muitos consumidores preferem guardar seus satoshis acreditando na valorização futura, em vez de gastá-los agora. Esse fenômeno, contudo, é natural e tende a diminuir conforme o ativo amadurece e se estabiliza.
(Sugestão de Pausa)
O terceiro desafio é tecnológico. Embora o Bitcoin seja extremamente seguro, a experiência de uso ainda pode ser intimidadora para leigos. Para quem está acostumado apenas com dinheiro, cartão e Pix, termos como “chave privada” e “taxa de rede” parecem assustadores. Mas isso também está mudando: carteiras estão ficando mais intuitivas e fáceis de usar, a Lightning Network já resolve boa parte dos problemas de usabilidade, e a integração com meios de pagamento tradicionais, como conta bancária e cartão de crédito, começa a surgir.
Mas o maior desafio é político. Estados não querem abrir mão de seu monopólio sobre a moeda sem resistência. Podemos esperar que, conforme a adoção cresça, aumentem também as tentativas de regulação, taxação e criminalização de transações fora do alcance estatal. A nova ideia do momento é a implementação das CBDCs, as moedas digitais de banco central, criadas para taxar e rastrear cada transação, buscando um futuro de vigilância e controle absoluto, em que cada gasto é monitorado, cada transferência é registrada e há até a possibilidade de bloquear uma compra em tempo real. Isso representaria o início do pior tipo de totalitarismo, no qual o governo pode ditar que tipo de produto ou alimento você pode comprar, onde e quando pode gastar. É, portanto, o oposto do Bitcoin, que seria o dinheiro livre.
O que nós, libertários, enxergamos é que o Bitcoin corrói justamente o pilar central do poder estatal: o monopólio monetário. Ao oferecer às pessoas uma alternativa que não pode ser inflada, confiscada ou censurada, a moeda abre espaço para uma economia baseada em escolhas voluntárias, fora do alcance regulatório de burocratas e políticos.
(Sugestão de Pausa)
E, apesar da resistência, o Bitcoin se mostra firme. Ele sobreviveu a proibições na China, a ataques em dezenas de países, a ameaças constantes de proibição, a bolhas especulativas e a mais de uma década de previsões de fracasso. Mesmo assim, continua crescendo em valor, infraestrutura e legitimidade. Consequentemente, cada vez mais empresas, fundos e até governos reconhecem sua importância. Hoje, grandes empresas globais investem no ativo, fundos bilionários o utilizam como parte de suas reservas, e até um governo já o aceita como moeda oficial.
O futuro provavelmente seguirá três fases: primeiro, o Bitcoin se consolida como reserva de valor global, protegendo indivíduos da inflação e da instabilidade das moedas fiat. Depois, à medida que a volatilidade diminui e as soluções de segunda camada amadurecem, ele se torna cada vez mais usado como meio de troca em comunidades locais e entre indivíduos que valorizam a liberdade monetária. Por fim, com a erosão da confiança nas moedas estatais, o Bitcoin pode se tornar não apenas uma opção atrativa, mas uma necessidade para a sobrevivência fora das garras do Estado.
O Brasil, ao liderar em número de estabelecimentos que aceitam Bitcoin, já começa a dar sinais de que pode estar na vanguarda dessa transformação. Não porque o governo brasileiro decidiu ou impôs, mas porque as pessoas livremente o escolheram. Cada comerciante que coloca a plaquinha “Aceitamos Bitcoin” na porta dá um passo em direção a um sistema financeiro mais livre.
(Sugestão de Pausa)
Finalmente, a mensagem é clara: não é necessário esperar autorização da elite de Brasília, de bancos ou de organismos internacionais. O futuro do dinheiro será decidido no mercado, entre indivíduos, de forma voluntária. E o fato de que quase dois mil estabelecimentos no Brasil já aceitam Bitcoin é a prova viva de que essa revolução já começou.
Para o cidadão comum, que ainda não é familiarizado com essa tecnologia revolucionária, é hora de aprender, experimentar e se preparar. O Bitcoin não é mais um experimento obscuro de tecnólogos e nerds, mas uma realidade crescente que já está transformando radicalmente nossa relação com o dinheiro. Quem o adotar cedo terá mais liberdade, prosperidade, proteção contra a inflação e opções de consumo e investimento. Quem ficar para trás corre o risco de se manter dependente de um sistema financeiro estatal falido e predatório.
O caminho não será fácil, mas a direção já está traçada. O Brasil já é hoje o líder em estabelecimentos que aceitam Bitcoin. Cabe agora a você, indivíduo, optar entre ser espectador ou protagonista dessa revolução. O novo futuro da liberdade, paz e prosperidade só depende de nós!
https://en.wikipedia.org/wiki/Bitcoin_in_El_Salvador
https://www.chainalysis.com/blog/2024-global-crypto-adoption-index
https://jfin-swufe.springeropen.com/articles/10.1186/s40854-025-00765-0
https://www.cfr.org/backgrounder/crypto-question-bitcoin-digital-dollars-and-future-money
https://www.investopedia.com/tech/what-will-happen-bitcoin-next-decade/
https://www.btcc.com/pt-BR/square/LivecoinsBR/1041292
https://techcripto.com/noticias/brasil-lidera-comercios-que-aceitam-bitcoin-como-pagamento/10/2025/
https://livecoins.com.br/brasil-e-o-pais-com-mais-comercios-aceitando-bitcoin-no-mundo/