Enquanto governos correm para regular, proibir ou engessar o bitcoin, a Vanguard começa a migrar para um novo padrão monetário digital.
A reversão da Vanguard é um divisor de águas simbólico. Por anos, a segunda maior gestora de ativos do mundo manteve seus clientes longe de qualquer exposição a fundos ligados a bitcoin, repetindo o discurso tradicional de que “criptomoedas é especulativo demais e não combina com a filosofia da casa”. Hoje, essa resistência ruiu.
A empresa liberou o acesso a ETFs de bitcoin e outros fundos listados, reabrindo sua plataforma de mais de 11 trilhões de dólares e cerca de 50 milhões de clientes para o ativo que ela própria desprezava. Poucos meses depois, análises de mercado apontam que essa decisão ajudou a destravar uma nova onda de capital institucional rumo ao bitcoin, com alta diária de milhares de dólares no preço e volumes recordes de negociação.
Esse movimento não é isolado. Relatórios sobre adoção institucional mostram que 2024 e 2025 marcaram uma virada histórica. Fundos negociados em bolsa (ETFs e ETPs) de bitcoin e empresas listadas em bolsa já acumulam centenas de milhares de bitcoins em carteira, chegando a comprar, em alguns períodos de 2025, mais de sete vezes a quantidade de BTC minerada no mesmo intervalo.
Em outubro de 2025, levantamentos apontavam mais de 330 entidades com bitcoin em tesouraria, entre companhias abertas, privadas e fundos, número que mais do que dobrou em relação a poucos anos antes. Estudos detalhados sobre ETFs indicam que o fundo de bitcoin da BlackRock, o IBIT, sozinho passou rapidamente a concentrar dezenas de bilhões de dólares, tornando‑se um dos lançamentos mais bem‑sucedidos da história do mercado de fundos.
(Sugestão de Pausa)
Isso não é nenhuma novidade, apenas um padrão claro do mercado. Primeiro veio o varejo, depois os fundos de hedge e empresas mais agressivas, e agora bancos, seguradoras, fundos de pensão e gestoras gigantes passaram a tratar o bitcoin não como curiosidade, mas como ativo estratégico de longo prazo. Pesquisas sobre adoção global indicam que, em 2025, um novo sub‑índice específico teve de ser criado só para medir a participação institucional nos fluxos de cripto, tamanha a relevância passada a ter esse tipo de investidor para o mercado.
Em paralelo, relatórios de análise institucional evidenciam que a aprovação de ETFs spot de bitcoin em grandes mercados foi o gatilho para uma aceleração de 400% na entrada de capital, destravando trilhões em potencial de alocação vinda de planos de aposentadoria, tesourarias corporativas e produtos financeiros tradicionais.
É aqui que entra a diferença crucial entre “cripto” como categoria ampla e o bitcoin como ativo específico. Vários estudos sobre adoção de ativos digitais em 2025 falam em “digital assets” e “crypto”, mas, ao olhar os números, quem lidera é quase sempre o bitcoin. É ele que concentra o grosso dos ETFs, que domina as reservas das empresas listadas, que serve de referência para os modelos macro de tesourarias e para as políticas públicas mais ousadas. Tokens de DeFi, memecoins e altcoins, em geral, continuam existindo, mas são altamente rotativos.
Sobem e caem brutalmente, muitos projetos desaparecem, hacks e golpes varrem bilhões aqui e ali, e regulações tendem a enquadra‑los como valores mobiliários ou produtos de alto risco. Já o bitcoin, com seu fornecimento fixo de 21 milhões, rede descentralizada e histórico de mais de 15 anos de operação ininterrupta, é tratado cada vez mais como “ouro digital”, ou em alguns círculos como o nosso libertário, como base de um potencial novo padrão monetário.
Essa distinção também aparece no plano geopolítico. Mapas de situação legal mostram que dezenas de países já possuem algum tipo de regulamentação clara para “criptoativos”, mas poucos vão tão longe a ponto de reconhecer qualquer outra moeda digital como reserva estratégica ou meio de pagamento privilegiado. Quando se fala em moeda de curso legal ou em legislação especialmente amigável para uso como dinheiro, o nome que se repete é bitcoin. El Salvador foi o caso pioneiro, adotando o BTC como moeda de curso legal ao lado do dólar, oferecendo isenção fiscal para investimentos no setor, criando títulos lastreados na moeda e atraindo empresas de mineração, corretoras e infraestrutura.
(Sugestão de Pausa)
Estudos e reportagens sobre “países cripto‑amigáveis” listam também lugares como Suíça, Emirados Árabes Unidos, Singapura e algumas jurisdições da Europa Oriental. Esses locais criaram regimes favoráveis para empresas e indivíduos que queiram operar com bitcoin, desde isenção total ou parcial de impostos sobre ganho de capital até estruturas regulatórias ágeis para custódia e negociação.
Ao mesmo tempo, muitos governos estão seguindo o caminho oposto. Levantamentos sobre panorama internacional de regulação de criptoativos mostram que mais de 100 jurisdições já têm, em 2025, marcos regulatórios específicos, e uma parte relevante disso tem tom claramente defensivo. Exigências duras de licenciamento, obrigações pesadas de reporte, restrições a derivativos, limites à atuação de bancos com empresas do setor, assim como temos aqui no Brasil.
Em grandes economias, pressões políticas constantes solicitam “regras rígidas” para o bitcoin e stablecoins, sob o argumento de combate à lavagem de dinheiro, proteção do consumidor e preservação da política monetária. Há episódios recorrentes de queda de preço do bitcoin em dias em que surgem notícias de mais aperto regulatório, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, mostrando que o conflito continua em curso.
Mas, mesmo onde o tom é duro, a direção de fundo é reveladora. Em vez de banir completamente o bitcoin, a maioria dos países tem caminhado para tentar enquadra‑lo, ou seja, assumir que ele existe, que será usado, e tentar trazê‑lo para dentro de regras formais. Isso por si só é um reconhecimento tácito de inevitabilidade. Juristas e analistas de direito digital apontam que poucas jurisdições hoje mantêm proibições totais, e mesmo as que tentam, como alguns casos de veto a corretoras ou mineração, veem a atividade simplesmente migrar para fora de suas fronteiras ou para a informalidade técnica. Em contrapartida, países que adotam um enquadramento mais amigável aparecem, recorrentemente, no topo dos rankings de “melhores lugares para empresas de cripto”, atraindo startups, capital de risco e profissionais qualificados.
(Sugestão de Pausa)
No meio disso tudo, governos correm com projetos de moedas digitais de banco central (CBDCs). Relatórios sobre criptoeconomia em 2025 destacam que vários bancos centrais estudam ou testam versões estatais de moeda digital, muitas vezes com características de controle extremo. Rastreabilidade total de transações, possibilidade de definir prazos de validade para dinheiro, limitação de uso por setor ou tipo de gasto são a regra da moedinha de político. Isso ajuda a reforçar o contraste que existe.
De um lado, moedas digitais estatais que ampliam o poder de vigilância e interferência, e de outro, o bitcoin como rede aberta, resistente à censura, com regras fixas e imunes a decisões discricionárias de governo. É exatamente nesse contraste que o bitcoin se fortalece como proteção de longo prazo contra manipulação monetária e contra o uso do sistema financeiro como ferramenta de controle político.
Do ponto de vista macroeconômico, relatórios de pesquisa institucional apontam que a combinação de oferta fixa, adoção crescente e entrada de capital de longo prazo, fundos de pensão, seguradoras, grandes gestoras, cria um descompasso estrutural entre oferta e demanda de bitcoin, especialmente após cada halving que reduz a emissão de novos BTC. Em 2025, por exemplo, análises mostram que instituições compravam múltiplas vezes mais bitcoin do que o total recém‑minerado, tendendo, ao longo do tempo, a pressionar o preço para cima e reforçar o papel do ativo como reserva de valor global.
Isso não significa ausência de volatilidade, afinal ela continua alta, mas que a direção de fundo, vista em janelas de anos, é de valorização frente a moedas fiduciárias constantemente inflacionadas.
(Sugestão de Pausa)
Já o “resto das criptomoedas” não oferece essa mesma combinação de escassez comprovada, descentralização robusta e adoção institucional massiva. Os relatórios ainda destacam que, embora as altcoins somem um valor de mercado relevante e sirvam de base para inovações em finanças descentralizadas ou tokenização, o risco tecnológico, regulatório e de governança é muito maior, e o interesse de tesourarias conservadoras e grandes fundos permanece concentrado primordialmente em bitcoin, e, em menor escala, em algumas poucas outras moedas mais estabelecidas. Na prática, isso significa que, se o objetivo é proteger patrimônio de longo prazo e participar de uma transição monetária global, o ativo com maior probabilidade de sobreviver e se impor é o bitcoin, não o conjunto amorfo das “cripto” genéricas.
Tudo isso converge para a tese central. O bitcoin é inevitável porque responde a uma demanda real, fugir da diluição monetária e do controle estatal sobre o dinheiro, e, porque está sendo absorvido, passo a passo, pela infraestrutura financeira tradicional e pela arquitetura regulatória global. Países e instituições podem escolher o ritmo com que se adaptam, mas não podem mais fingir que ele não existe.
Os que abraçarem o ativo inteligentemente, criando ambientes seguros e previsíveis para seu uso e custódia, tendem a atrair capital, inovação e relevância. Os que insistirem em tentar sufoca‑lo por decreto, seja com proibições explícitas, seja com regulações sufocantes, vão somente assistir à atividade migrar para jurisdições mais abertas, e descobrir, tarde demais, que ficaram para trás em uma das principais transformações monetárias da história recente.
https://www.forbes.com/sites/digital-assets/2025/12/02/bitcoin-bounces-back-as-vanguard-decision-opens-door-to-flood-of-capital/
https://powerdrill.ai/blog/institutional-cryptocurrency-adoption
https://www.chainalysis.com/blog/2025-global-crypto-adoption-index/
https://bitcoinmagazine.com/markets/institutional-bitcoin-demand-explodes-in-2025-7x-more-btc-bought-than-mined
https://hackernoon.com/lang/pt/2025-mais-de-100-jurisdições-terão-regulamentação-de-criptomoedas
https://coincub.com/top-crypto-friendly-countries/
https://research-center.amundi.com/article/cryptocurrencies-break-mainstream
https://datos-insights.com/blog/bitcoin-etf-institutional-adoption/
https://www.trmlabs.com/reports-and-whitepapers/2025-crypto-adoption-and-stablecoin-usage-report
https://thomasmurray.com/insights/institutional-adoption-digital-assets-2025-factors-driving-industry-forward