Em uma operação relâmpago, forças americanas capturaram Nicolás Maduro. O mundo assiste chocado. Esquerdistas choram pela "soberania" do ditador. Mas a promessa de Trump de "gerir" o país revela que a liberdade real ainda está distante
A madrugada de 3 de janeiro de 2026 entrou para a história. O som de explosões acordou os moradores da capital daquele país que estatistas chamam de Venezuela. Não eram fogos de artifício. Eram mísseis de uma potência estrangeira. O alvo era claro: a cabeça da estrutura de poder que devastou a nação por décadas.
Nicolás Maduro, o sucessor do socialismo bolivariano, foi capturado. Ele e sua esposa, Cilia Flores, foram levados por forças especiais norte-americanas. As imagens do ditador algemado, vestindo um moletom cinza, circularam o mundo. Para muitos, foi um momento de alívio. O homem responsável pela fome, censura, morte e miséria de milhões estava finalmente fora do poder.
No entanto, a euforia inicial deve dar lugar a uma análise fria e crítica. A queda de um tirano é sempre motivo de celebração. Mas a forma como isso acontece importa. E o que vem depois importa ainda mais. O presidente americano, Donald Trump, não prometeu apenas justiça. Ele declarou que os Estados Unidos iriam “gerir” a Venezuela e ainda afirmou que Marco Rubio, seu secretário de Estado, estaria mantendo boas conversas com a vice de Maduro, Delcy Eloína Rodríguez Gómez.
Essa afirmação deve acender um alerta vermelho em qualquer libertário. A troca de uma ditadura socialista por uma administração militar estrangeira não é liberdade. É apenas uma mudança na gerência da coerção estatal. Vamos analisar os fatos, a economia e as reações hipócritas que se seguiram a este evento sísmico.
(Sugestão de Pausa)
A economia venezuelana já estava em frangalhos muito antes de os caças americanos chegarem. O socialismo fez seu trabalho destrutivo com eficiência brutal. Em janeiro de 2026, o dólar oficial custava mais de trezentos bolívares. No mercado paralelo, o valor real era quase o dobro. A inflação continuava a corroer o pouco que restava do poder de compra da população.
A resposta do regime à crise nunca foi liberar o mercado. Foi sempre mais controle. Mais impressão de dinheiro. Mais perseguição a quem ousasse produzir ou discordar. A chamada “Lei contra o Fascismo”, implementada no final de 2025, foi o último suspiro do autoritarismo. Sob o pretexto de combater o ódio, o governo criminalizou a oposição. É sempre a mesma desculpa: rotular todo tipo de crítica ao regime como ataque às instituições e ao Estado. Podemos ver esse mesmo padrão aqui no Brasil.
Assim, qualquer crítica à gestão econômica desastrosa virava “fascismo”. Qualquer defesa da propriedade privada virava “discurso de ódio”. O Estado venezuelano tentou proibir a realidade por decreto. Mas a realidade tem o hábito de se impor, seja pela fome, seja pela força bruta de um exército maior.
A ação militar dos Estados Unidos, batizada de “Absolute Resolve”, foi avassaladora. Mais de cento e cinquenta aeronaves participaram do ataque. Bases militares, aeroportos e o palácio presidencial foram atingidos. A resistência das forças armadas venezuelanas foi pífia. Bilhões gastos em sistemas de defesa russos não impediram a extração do ditador em questão de minutos.
(Sugestão de Pausa)
Isso nos ensina uma lição valiosa sobre o Estado. Ele parece onipotente quando está esmagando cidadãos desarmados, mas sua competência real é mínima. A burocracia militar, corrupta e ineficiente, desmoronou diante de uma força superior. O “monstro” que aterrorizava os venezuelanos revelou-se um tigre de papel.
Contudo, a ação americana também revela a natureza do Estado mais forte nessa história. Trump agiu sem autorização do Congresso americano. A Constituição dos Estados Unidos exige aprovação legislativa para atos de guerra. Mas, como sabemos, constituições são apenas pedaços de papel para quem detém o monopólio da força, e concessões e relativizações sempre são feitas conforme o momento. O Executivo americano agiu como um rei.
A justificativa oficial foi o combate ao narcotráfico e a alegação de que o governo venezuelano representava uma grande ameaça aos Estados Unidos. Maduro foi indiciado por narcoterrorismo. Mas transformar o Exército em polícia global cria um precedente perigoso.
A reação internacional foi um espetáculo de hipocrisia. Líderes da esquerda latino-americana, como Lula e Gustavo Petro, condenaram a operação imediatamente. Falaram em “agressão imperialista” e violação do direito internacional. Lula disse que a ação “cruza uma linha inaceitável”.
(Sugestão de Pausa)
Onde estava essa indignação quando Maduro violava os direitos naturais dos venezuelanos? Quando torturava opositores? Quando causava a fome que expulsou milhões de pessoas de suas casas? Para esses estatistas, a “soberania” do Estado é sagrada. A vida e a liberdade do indivíduo são irrelevantes. Eles choram pelo ditador deposto, não pelas vítimas do socialismo.
Por outro lado, figuras como Javier Milei celebraram o evento como um “avanço da liberdade”. É compreensível. Ver um inimigo da liberdade cair dessa forma é gratificante. Mas não podemos confundir a ação do Estado americano com libertarianismo. Trump não está lá para instaurar o anarcocapitalismo e libertar verdadeiramente o povo. Ele é um político como os outros e está ali para defender interesses geopolíticos estratégicos e econômicos — razão pela qual demonstra tanto interesse no petróleo.
A declaração de Trump de que empresas americanas estarão “muito envolvidas” no petróleo venezuelano é reveladora. Não se fala em privatizar a PDVSA e devolver o que foi roubado aos cidadãos. Fala-se em controlar o fluxo de recursos. Sai a elite corrupta bolivariana, entra a elite corporativista ligada a Washington.
A situação interna na Venezuela agora é de incerteza absoluta. Delcy Rodríguez, a vice-presidente, tentou assumir o comando. Ela declarou um “Estado de Perturbação Externa”. Isso é apenas um nome bonito para lei marcial. A internet foi cortada em várias regiões. O Estado, ferido, tenta cegar a população para manter o controle.
(Sugestão de Pausa)
María Corina Machado, líder da oposição, pediu aos militares que aceitem a transição. Ela vê a ação como o cumprimento da justiça internacional. Mas Trump jogou um balde de água fria em suas pretensões. Ele disse que ela “não tem apoio” suficiente. Isso sugere que os EUA preferem alguém mais “maleável” do que uma líder com princípios próprios.
O que vemos é a substituição de um dono por outro. A Venezuela deixa de ser a fazenda particular do chavismo para se tornar um protetorado americano. A “gestão” prometida por Trump implica burocratas de Washington decidindo o futuro de Caracas. Isso não é autodeterminação. É apenas uma mudança na hierarquia de comando.
A economia venezuelana, já dolarizada na prática pela ação espontânea das pessoas, pode se estabilizar. Se o Banco Central da Venezuela for impedido de imprimir dinheiro, a hiperinflação cessará. Mas, se a moeda for o dólar sob controle do FED, a inflação será a americana. É melhor que a venezuelana, mas ainda é um roubo sistemático via desvalorização monetária. Ainda assim, é cedo para bater o martelo sobre quais políticas econômicas serão adotadas e se, de fato, muita coisa vai mudar. Reconstruir um país destruído pelo socialismo levará muito tempo, caso os americanos realmente queiram promover mudanças estruturais. Não podemos esquecer que todo o Estado venezuelano está aparelhado por simpatizantes de Nicolás Maduro, colocados por ele em posições de poder.
(Sugestão de Pausa)
A lição fundamental deste episódio é sobre a fragilidade da liberdade sob o Estado. Os venezuelanos perderam sua liberdade para o socialismo. Agora, dependem da benevolência de uma potência estrangeira para ter alguma normalidade. Não são agentes de seu destino; são espectadores de um jogo de xadrez entre poderosos. Ou seja, seus direitos naturais à autopropriedade sobre o próprio corpo e à autodeterminação ainda não foram garantidos.
A verdadeira libertação daquele país não virá de helicópteros Black Hawk. Ela só pode vir quando os indivíduos não precisarem de permissão para comerciar, produzir e viver. Enquanto houver um “presidente” decidindo quem pode vender petróleo ou comprar pão, a escravidão continua — seja sob o feitor socialista, seja sob o gerente imperialista.
A queda de Maduro prova que nenhum regime é eterno. A economia sempre vence a política no final, como mostrou o colapso inevitável da União Soviética. O socialismo destruiu a base material que sustentava o ditador. Ele caiu porque o país que sugou não tinha mais sangue para dar; Maduro matou a vaca que dava o leite. Foi um colapso induzido pela própria ideologia podre que defendia.
Os Estados Unidos apenas deram o empurrão final em uma estrutura já apodrecida. Mas não nos enganemos. O intervencionismo militar custa caro. Custa dinheiro dos pagadores de impostos americanos. Custa estabilidade regional. E cria precedentes que podem ser usados contra qualquer um no futuro.
(Sugestão de Pausa)
Hoje, o alvo foi um ditador de esquerda. Amanhã, pode ser qualquer nação que desagrade aos interesses de Washington. A “polícia do mundo” não age por caridade. Age por interesse. E o interesse do Estado nunca é a liberdade do indivíduo. É sempre o poder.
Concluímos que a celebração deve ser contida. O fim de Maduro é algo positivo para os amantes da liberdade e para todos os venezuelanos escravizados, sem dúvida. Menos um tirano no mundo é sempre bom. Mas a ascensão de um governo de ocupação ou de um fantoche estrangeiro não é o ideal libertário. A Venezuela precisa de livre mercado, propriedade privada e fim do banco central — não de novos burocratas falando inglês.
O vácuo de poder atual é perigoso. Grupos armados, militares corruptos e interesses estrangeiros disputam o espólio. A população, cansada e faminta, só quer paz. Mas a paz imposta por tanques é apenas uma trégua. A verdadeira paz só existe com liberdade e poder nas mãos do povo, com as armas nas mãos dos venezuelanos, e não dos capachos de Nicolás Maduro.
Que o exemplo da Venezuela sirva de aviso. O caminho da servidão começa com promessas de igualdade e termina com mísseis na madrugada. E a salvação não vem de políticos, nem de dentro nem de fora. Ela vem da capacidade humana de resistir, criar e trocar, apesar do Estado — e não por causa dele.
https://www.theguardian.com/us-news/2026/jan/04/trump-congress-venezuela-attack
https://www.cbsnews.com/news/venezuelan-officials-condemn-maduro-capture-kidnapping-trump-delcy-rodriguez/
https://reason.com/2026/01/03/trump-should-have-gotten-congressional-authorization-to-strike-venezuela-and-capture-maduro/
https://www.theguardian.com/world/live/2026/jan/04/nicolas-maduro-jailed-us-attack-venezuela-donald-trump-reaction-latest-news-updates-live